domingo, 30 de agosto de 2015

Traços Singelos

O traço mais simples é o sopro de Deus.
Que é uma nuvem a se mover sobre a terra.
A arquitetura mais bela, é o rosto sofrido do ser humano excluído.
Que luta na senzala.
Pra quem não tem estudo, a escravidão se disfarça de trabalho.
E o cenário é um desenho mais lindo dos traços divinos da sobrevivência.
Num mundo de aparência o simples é o belo.
E aquele que bate o martelo, é que prega o primeiro prego da construção de um prédio.
De um centro cultural, cujo espetáculo atual é a construção de suas vigas.
Como em Romã e seus espetáculos.
Os escravos de suas arenas são construtores e artistas.
Das mais belas obras modernas.
Traços suaves, vem de mãos escravas que recebem seus salários de sobrevivência.
Que vivem construindo a beleza, em um mundo de aparência.
Arriscando suas vidas, em obras magníficas.
Como os traços das nuvens das mão divinas a soprar pro mesmo rumo.
De um mundo que moderno só esconde seus defeitos atrás de preconceitos.
Onde as mãos com calos são as que constroem as obras de concreto.
E a beleza planejada por um arquiteto.
Se mostra viva em sua arte construída.
Que leva em sua obra esculpida os traços de mãos sofridas.
É a beleza da vida.
Que produz o que é belo pelo esforço do mais singelo.

Combustível

Café da manhã tem que ter pão.
Almoço tem que ter arroz feijão.
Mistura é Ovo.
Bebida é Suco.
Carne é peixe.
Nem tudo que é de comer faz bem.
Vai pro sangue que move o corpo pra ir mais além.
Vai pro pensamento.
Coração e sentimento.
Move a razão pro mal ou pro bem.
Faz a direção pro sim ou pro não.
Toma a decisão.
Ninguém dá um passo sem a refeição.
Queijo é leite.
Gordura é óleo.
Batata é frita.
Hamburguer é fast food.
Comer depressa é comer cru.
Caloria demais para o coração.
Aumenta a pressão.
Coração frio, pressão demais.
Cabeça não pensa mais.
Perde a razão.
Vive na solidão.
A vida perde o sentido quando companhia é refeição.
Caloria é feita pra queimar.
A vida não é medida somente pelo tempo.
Mas pelas calorias a gastar.
Energia e sentimento vem do que se põe pra dentro.
Mas o pior mal, não vem do que se consome.
Do que chega de fora pra dentro e sim do que sai de dentro pra fora.
O que sai do coração é que mostra se um homem é bom ou não.
O que se come é apenas combústivel.
Todo carro ruim ou bom precisa de combustão.

A árvore.

Um lápis desenha uma floresta em uma folha de sulfite que já foi uma árvore.
Uma borracha que apaga um traço de uma lágrima de uma seringueira qualquer.
Nas marcas das cascas da pele o desenho de um coração.
Recordação é cicatriz no tronco da árvore, tatuagem de paixão. 
Uma árvore é simbolo de doação, tatua na pele a recordação de outro, produz o fruto e se entrega em doação.
Ás vezes cede a própria madeira e serve de abrigo para uma casa no alto de seus galhos.  Projetada com um lápis no sulfite que brota de sua própria pele.
A origem de tudo vem da mesma madeira.
Toda vida depende de um fruto de uma árvore ou de sua cicatriz. Alimenta o corpo e a alma, vem com o ar, ou carregando o som dos pássaros, que ali fazem seus ninhos.
Toda árvore brota do fruto, todo sulfite produz um projeto, toda árvore forma um objeto.
Todo objeto só tem valor porque faz parte de uma vida e toda vida depende de uma árvore.
Toda árvore é viva mesmo quando morre, porque aí ela se move para ser a mesa de algum lar ou o balcão de algum bar.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Esperando a banda passar

Eu conheço gente jovem que me representa.
O meu coração é jovem e me apresenta a luta para garantir os direitos da Constituição.
Por detrás da máscara da revolução, o sorriso sem jeito daquele que foi roubado.
Do homem honesto que carrega o fardo dirigindo seu caminhão.
Do jovem que busca mais que um pacote de pão.
É o mais jovem conhecido da inflação.
Dos hospitais e sua classe em desunião.
Onde o dinheiro compra vidas.
E passagem de avião é grátis pra politico que continua irônico a situação.
Mais meu coração é jovem e me apresenta.
Gente jovem da revolução.
A esperança na força da união.
Pode devolver o semblante do sorriso que nunca deveria ter saído do rosto do homem aflito roubado.
E do meu lado, está a situação, quem me representa no poder tá perdido.
Governo despreparado, parece tão assustado com a voz do cidadão.
E eu só quero saber se ainda vou ouvir a canção.
Que vem com a banda na rua tocando em serenata.
Da minha janela eu vejo a passeata.
De nenhum partido democrata, socialista ou cristão.
A voz que vem do coração é um som de revolução.
Do rosto que é jovem e não perde o seu encanto.
Feito de beleza natural.
Nas cores da bandeira fora da época de carnaval.
E eu que tava a toa na vida esperando a banda passar cantando coisas de amor.
Agora acredito que o povo tem seu valor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Mundo

Qual o maior confilto.
Qual o melhor semblante.
De um homem aflito.
Quanto tempo dura a beleza de uma pedra de diamante.
Qual a melhor amante.
De uma noite de verao.
Qual o fluxo do trem fora da estaçao.
Qual a medida certa da solidão.
Qual o tempo que se encaixa na sessão da tarde.
Qual a bebida da felicidade.
Qual a característica principal da maldade.
O que há de novo, num prato de arroz feijão e ovo.
O que há de povo sorrindo sem direção.
Qual será o próximo acordar de um vulcão.
Qual será a próxima criança a nascer neste mundo.
Qual será o próximo funcionário do mês.
Um operário ou um monarca.
A escolha de um novo Papa.
Na filosofia de um Rei escolhido por Deus.
Na expectativa de um estouro.
Na história de um capítulo passado.
Na figura do abandono de poder.
Ao descer as escadas de uma catedral de ouro.
Num chão de pó é maior o brilho da luz divina.
Qual será a imagem no retrovisor do motorista do onibus azul.
Na estrada que percorre o mundo de norte a sul.
Colibrir de paisagem a olho ingenuo.
Expostos ao ventilador de maldade a corpo nu.
Onde giro da haste é mais lento que a volta do mundo em torno de nos mesmos.
Como uma roleta pronta para parar onde ficaremos presos.
Na noite ou na luz.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Pessoas são só pessoas por trás dos seus diplomas.

Não importa em qual lado da mesa você está.
Nem o degrau que vc conseguiu alcançar.
Em pé ou na cadeira da diretoria.
Uma vida de preocupações ou alegria.
A verdade é uma só.
Por tras dos seu diplomas pessoas são só pessoas.
Com medos e interesses individuais.
Com sentimentos e desejos tão iguais.
Por tras dos seu diplomas pessoas são só pessoas.
Com mais ou menos complexos sociais.
Com consciência mais limpa ou mais pesada.
Não importa qual o degrau da escada você está.
A vida leva todos para as mesmas rugas.
Como um relógio de areia a contar o tempo.
 A vida é tão frágil e somente o que importa pra Deus.
Se constroi com concreto, argamassa e cimento.
Porque tudo o que se edifica com areia um dia cai.
Por tras dos seu diplomas pessoas são só pessoas.
Tão iguais mascaradas por posições sociais.
Sentem fome, sentem medo, possuem os mesmos anseios.
Algumas se perdem no caminho.
Outras acham que pegaram a estrada certa, mais esquecem de medir a kilometragem do tempo.
E outras sabem que encontraram o caminho quando caminham na estrada de outros.
Como uma ambulância pronta a acudir a efemeridade da vida.
Nunca vimos entregarem diplomas para o melhor bolo de chocolate do mundo.
Ou pelas coisas simples e gostosas da vida.
A página policial é mais popular na capa do jornal.
Mostram o que o homem faz de errado.
Para darmos graças a Deus que nosso caminho é honesto e diferente do caminho de um marginal.
Combatem o nosso mal com um mal pior.
Valorizam nosso diploma, aumentam nossa estima.
Mais em cada esquina.
Por tras dos seu diplomas pessoas são só pessoas.
Com mais ou menos complexos sociais.
Com desejos e anseios iguais.
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sol e a Noite

Beaba voa a pipa no céu.
E o vento é o troféu do tempo que traz o ar que vc respira.
Foram só dias de trabalho.
Desperdiçados no calendário.
Se o mundo tá no fim. Para de sorrir pra mim luz do Sol.
Se eu quisesse te ver, eu não deixaria vc do lado de fora.
Se quer ficar comigo não vá embora na hora de dormir.
Mas quando no meio da noite eu abro os olhos só tá a lua aqui.
Um pedaço de queijo que brilha no céu.
Se fosse um astronauta eu ficava mais perto de Deus.
Mais sou só um aristrocata.
Um trabalhador do Sol, Sol a Sol.
Tudo o que já vi na luz, a noite escondeu.
E tudo o que eu já vi na noite.
A luz ofuscou meus olhos.
No tempo que é o único capaz de voar.
E me levar de volta para o meu lugar.
Não vou deixar o sol ir embora sem ter certeza que terá motivos pra voltar.
Não vou deixar de sorrir na noite mesmo quando estiver de lua.
Não vou me esconder de tudo o que tiver que enfrentar.
Dias de Sol.
Noites de Lua tem sua beleza escondida na força da fé.
Eu não vou deixar de me movimentar nem que seja a pé.
Ou no fluxo da minha imaginação.
Porque ninguém pode parar meu coração enquanto eu estiver aqui.
Mesmo na noite na hora de dormir.
Ele continua movimentando no mesmo lugar.
E eu não vou permitir que o Sol vai embora sem prometer que vai voltar.
Não vou desistir sem lutar.